Equipa

Pessoas na Corrente

Filipa Silva, promotora
Em 2009, um programa do chef Jamie Oliver mudou para sempre a minha percepção do que andava a comer. Após ver alguns documentários sofri o choque e descobri a realidade por trás da produção industrial de alimentos, e a relação com a minha alimentação alterou-se completamente. A minha vida “consciente e activista” começou pela alimentação, e após ter descoberto a Permacultura, estendeu-se a quase todas as outras áreas.
Comecei a questionar-me constantemente “quem é que produz os produtos/serviços que consumo? Em que condições?” “Utilizando que recursos? Que impacto tem essa produção a nível ambiental, económico e social?” “E o depois..?” Yuup.. foi o inicio de uma grande viagem, que já não deu para voltar atrás.
Juntamente a isto, tive a chance de estudar, viver e viajar durante vários meses do ano noutros países. Tudo o que tinha cabia numa mochila. Habituei-me a não acumular, a não comprar nem levar comigo aquilo que não era extremamente necessário. Estas experiencias em conjunto com a consciência da sustentabilidade e ética foram-me levando a consumir pouco… mas bem. O consumo consciente, ético e responsável alojou-se em mim e nunca mais me largou.
Dedico a minha vida ao desenvolvimento sustentável e acredito que todos podemos contribuir, principalmente na hora de consumir, na forma como votamos diariamente com o nosso euro e como decidimos investi-lo na construção do hoje e do amanhã.
Acredito que a Corrente vá satisfazer muitas pessoas que nos acompanham nesta missão e estimular outras, a juntar-se nesta viagem.

Miguel Garcia, equipa comunicação
Lembro-me das coisas serem feitas à mão, as roupas costuradas em casa, os móveis arranjados no bairro, a bicicleta antiga reciclada em nova, uma infância artesanal.
Lembro-me de crescer numa cidade e numa sociedade intensamente politizadas, os muros ainda cheios de ideias revolucionárias e palavras de ordem, muitas manifs, muitas conversas dos crescidos sobre a liberdade, sobre o respeito, sobre direitos individuais e equidade social.
Lembro-me das viagens dentro e fora, pequenas ou grandes, e de como tudo mudava, pessoas, cheiros, sons, caminhos, as proporções de tudo diferentes das minhas e ao mesmo tempo uma sensação repetida de familiaridade, afinal o estranho é parecido e o longe também é meu.
Lembro-me dos trinta só chegarem três anos mais tarde, de querer preparar a passagem de filho para pai, assumir a autoria das minhas escolhas e das minhas acções, procurar descobrir a complexidade e a interdependência tantas vezes escondidas nas relações entre as coisas e as pessoas e as ideias.
A ética animal, a resiliência socio-económica, os infindáveis impactos ecológicos, as consequências das escolhas pessoais na saúde e no bem-estar, todas estas dimensões, práticas, conceitos e princípios, toda esta tomada de consciência que as pessoas e as marcas da Corrente reúnem nesta plataforma, aqui e agora, a mim foram precisos mais de 40 anos para lá chegar. Pelo menos é assim que eu me lembro.

Katrin Kaasa, promotora
O meu nome é Katrin. Sou norueguesa mas vivo em Portugal desde criança, ainda com um pé nas florestas mitológicas dos contos de fadas escandinavos. Com a minha avó aprendi tudo o que sei de trabalhos manuais e também a gostar de coisas bonitas, compradas ou recicladas. Nos últimos anos tenho sentido necessidade de transformar o meu consumo. Torná-lo mais selectivo e consciente. Perceber de onde vem a necessidade de ter certas coisas. A Corrente entrou na minha vida através da minha amiga Rosinha, numa das muitas conversas intermináveis sobre tudo aquilo que nos aproxima. Eu andava a investigar marcas portuguesas sustentáveis, e a Rosinha sugeriu que eu entrasse no projecto que estava a desenvolver, a Corrente, na pesquisa e angariação de marcas e produtores. A procura de produtos que não contenham na sua história sofrimento ou exploração humana, animal e ambiental tornou-se uma paixão. Eu já conhecia algumas marcas, mas não sabia que havia tantas em Portugal. A colaboração com a Corrente está a ser também uma aprendizagem a muitos níveis, não só uma reeducação do meu consumo. Descobrir como alguns produtos se encontram intimamente ligados aos ideais e às vidas dos seus produtores, e dar a conhecer essa realidade a todos os que tenham interesse.

Nuno Matias, desenvolvimento tecnológico
Olá. Sou natural de Lisboa mas com raízes na beira baixa, cresci entre os subúrbios da cidade e a vida do campo. Cresci no seio de uma família simples sem grandes posses nem ambições. Com uma tendência natural para a observação das pessoas e seus comportamentos, desde cedo questionei tudo o que via e a razão de ser do mundo. De aprendiz de marceneiro rapidamente dei o salto para a informática onde me especializei e onde aprendi a pôr em contexto humano a tecnologia que usava no meu dia a dia. Onde fui obrigado a destruir a noção ingénua de que a tecnologia iria resolver todos os desafios da humanidade. A minha viagem interior levou-me a perceber que o que faltava era encontrar o propósito certo para aplicar a minha energia e conhecimento. E dessa vontade surgiu a T4HD, que com muito prazer e dedicação se uniu a esta corrente, na esperança de que a possamos fazer crescer e fortalecer. Que a mesma seja um exemplo positivo do que podemos, em conjunto contruir, uma humanidade melhor.

Timi Suveges, promotora
Nasci em Budapeste, na Hungria, em 1990. Cresci numa família de classe média, os meus pais sempre deram a mim e ao meu irmão tudo o que nós quisessemos: brinquedos, roupa, gadgets electrónicos, nunca nos faltou nada. Sempre adorei ir às compras, gastei o meu dinheiro extra em maquilhagem e vestidos bonitos da última moda. Até que um dia apaixonei-me por um rapaz português e um ano depois deixei a minha vida em Budapeste para trás e mudei-me para Portugal, para vivermos juntos.
No primeiro ano não comprei rigorosamente nenhum artigo novo, pois as minhas prioridades mudaram bastante. E nesse ano é que percebi, que realmente nós nem sequer precisamos de tantas coisas para vivermos felizes. Comecei a apreciar mais o que já tinha e pensava dez vezes mais nas minhas novas compras do que antes. Naquela altura comecei a ler e aprofundar mais sobre minimalismo e descobri muita coisa também da sustentabilidade e como manter o equilíbrio nas minhas compras. Mais tarde juntei-me para um projeto que procurava soluções para o desperdício alimentar e outros problemas ambientais e sociais. Aprendi distinguir as marcas com boas práticas das marcas com boa equipa de marketing. E é precisamente este conhecimento que pretendo pôr em prática na Corrente. Porque não temos que ir muito longe – existem marcas com uma responsabilidade ética e ambiental enorme em Portugal, que merecem a nossa atenção.

Cândida Rato, equipa selo consciente + Coordenadora promotores

Adoro conhecer pessoas e escutar as suas histórias de vida, que se enlevam naquilo que criam.

Em criança adorava, como agora, visitar mercados e feiras, sabendo que os produtos adquiridos eram de origem portuguesa. Alguma da nossa roupa era feita à mão em casa ou localmente, o peixe vinha dos mares de Sesimbra, a carne era de um talho familiar e sabia quem tinha tratado do animal e onde tinha crescido… algo que em adulta não consegui manter, percebendo depois o que abdicava de saúde natural, frescura, cultura e nutrição a favor da industrialização em massa. Conheci também o desperdício de recursos deste tipo de produção e o sofrimento infligido, a humanos, planeta e animais.

Curiosa e empenhada como investigadora, engenheira e gestora ambiental, despedi-me aos 29 anos do “emprego para a vida”, para ir viajar, conhecer e colaborar noutros países, projectos e realidades.

Regressei a Portugal reconhecendo-o, após ter viajado nos 5 continentes, como o meu país favorito. Repleto de recursos únicos naturais, culturais e humanos, vim com a motivação de os preservar e dar a conhecer.

Após anos a encontrar e conhecer pessoas e projectos, a escutar e apoiar empreendedores, identifiquei principalmente que não se conheciam uns aos outros e que são mulheres e homens multifunções. Depois, já em Lisboa, percebi que quem queria comprar com qualidade desconhecia também o que se produz e faz em Portugal.

Então a Corrente vem de uma vontade de poder adquirir o que preciso, conhecendo quem está por detrás, de onde vem e como foi feito, permitindo apoiar a economia familiar e nacional, o empreendedorismo, a criatividade e o saber fazer. Partilhando práticas e produtos de confiança, para que cheguem à vida de mais pessoas e da sociedade em que quero viver. Trabalhamos para impactes positivos.

Filipe Moreira Alves, equipa selo consciente
Nasci e cresci numa família da classe média burguesa e no meio de uma abundância que até ao final da adolescência raramente questionei. Tal como muitos dos meus pares nesses anos de aprendizagem, o consumo era sinal de status e a produção intelectual o foco dos meus esforços. Não me lembro de me preocupar de onde vinham aqueles ténis novos, quem tinha feito as minhas calças, quem tinha produzido a minha comida ou reparado a banheira. Não era tanto indiferença mas mais inconsciência e desconhecimento para realidades que me passavam ao lado. Foi nas viagens, na vida vivida fora de Portugal e no contacto com outros círculos e esferas sócio-económicas que despertei para todo um mundo novo para lá da pequena janela do compra-usa-deita fora. Esse era um mundo bem mais vasto, mais complexo e mais difícil de entender. Afinal os ténis tinham sido feitos na Birmânia, por crianças em condições miseráveis, com produtos altamente poluentes, desenhados para durar apenas 2 anos e tendo como destino uma lixeira a céu aberto num qualquer país da África equatorial. Já não eram apenas um ténis da marca X ou Y, eram um símbolo de toda uma economia injusta, indiferente, desigual e insustentável. Podia eu continuar a caminhar neles? E não eram apenas os ténis, a comida, a pasta dos dentes ou as ferramentas. Era tudo o que fazia parte do meu mundo e cujos rótulos, etiquetas e descrições nunca antes tinha prestado atenção. Pesquisar, aprofundar e redesenhar tudo isso tem sido para mim uma viagem de vários anos que me fez questionar toda a minha licenciatura em Economia e seus paradigmas, ter vários debates e discussões, nem sempre amigáveis, com familiares e amigos, e acima de tudo operar transformações consideráveis nos meus comportamentos individuais e no meu papel dentro da sociedade. Produzir e partilhar comida e energia na Biovilla tem sido transformador, construir com as minhas próprias mãos estruturas, brinquedos, ferramentas tem sido libertador, até poder de vez em quando “produzir” música com amigos à volta da fogueira tem sido inspirador. É uma mudança de paradigmas, é uma mudança de vida e é o impulso que me faz ligar à Corrente. Afinal de contas esta é uma rede de produtores, de artesãos e cidadãos, conscientes e responsáveis, com foco na partilha, na aprendizagem mútua e no crescimento conjunto. Vamos a isso!

Ana Rita, promotora
Nascida nos anos 80, no Porto
Toda árvore tem raizes e as minhas raízes na área da sustentabilidade têm nome: a minha avó, Ana, sempre buscou nas plantas a cura; o meu bisavô, Joaquim, vegetariano e artista nas áreas da marcenaria e pintura; o meu avô, António, que tinha uma horta em plena cidade.

O meu percurso foi pautado por todo um debate interior em torno desta temática, levando-me ações concretas na sociedade tais como em dinâmicas associativas e posteriormente na minha carreira como Oceanógrafa e delineadora de estratégia em diversos projetos e organizações, ao nível internacional.

Ter emigrado e vivido num veleiro num contexto minimalista, permitiu-me ter uma perspectiva global da aplicação desta temática ao nível pessoal e profissional.

Recentemente fui convidada a dar formação na área da sustentabilidade em empresas e ONG´s, a participar como delegada na conferencia das Nações Unidas para as alterações climáticas e a ser Advisor na RainForest Partnership com acções concretas nas Comunidades indígenas da Floresta Amazônica.

A corrente integra um todo em mim, uma visão inovadora no panorama nacional com uma estratégia muito concreta e de boas práticas na comunidade.

show